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Recapitulando

Abril 4, 2008

Pessoas são estranhas. Pessoas não são o que pensamos, não são o que parecem ser e, muitas vezes (muitas mesmo), não são o que dizem ser. Pessoas dizem que querem ficar por perto e não ficam. Dizem que vão te amar para sempre. Dizem – e até provam, algumas vezes – que sempre vão estar lá quando você precisar. Pessoas mentem.

Pessoas querem ser o que não são. Fazem gênero. Vendem a alma, alugam. Algumas vezes dividem em cotas e acham que podem recuperá-las em partes, com o tempo. Pessoas se escondem. Pessoas fogem. Pessoas têm medo.

Pessoas beijam e abraçam e acariciam e esquecem e relembram e choram e não ouvem mais as mesmas músicas. Pessoas aprendem coisas que não gostariam e adquirem vícios. Querem ser loucas, parecer descoladas, ser diferentes, sair do lugar comum. Algumas pessoas não crescem.

Pessoas são vulgares ou dariam bons personagens de filme. Pessoas jamais saberiam interpretar animais. Pessoas aprendem a ler, a escrever, a cantar, a compor, a filmar, a montar, a editar, a fotografar, a dançar, a atuar, a construir, para então desconstruir, destruir tudo e recomeçar, fazer releituras. Pessoas se arrependem.

Pessoas passam e deixam para trás outras pessoas. Carregam baús de lembranças e perdem tempo em lojas de inconveniências. Pessoas riem e choram e gritam e gesticulam desesperadas. Pessoas se encontram e desencontram com a velocidade da luz. Pessoas se apaixonam. Pessoas vão embora.

Pessoas são abandonadas, deixam seus empregos, tentam se matar. Casam, têm filhos, sofrem de solidão. Montam sites, dirigem seus carros, trabalham, comem, escovam os dentes, dormem em lençóis de algodão e sonham coisas que não entendem. Às vezes pessoas decidem ficar.

Pessoas fogem do que não entendem, têm medo do escuro e de ficarem sozinhas. Perdem a vaidade, o respeito, o amor próprio, o orgulho. Pessoas se entregam. Pessoas se entregam? Pessoas pagam pra ver? Pessoas correm o risco? Pessoas perguntam o que têm vontade? Pessoas realizam desejos?

Pessoas têm ilusões. Criam filhos, alimentam expectativas, abortam planos, desistem de sonhos. Pessoas se perdem e acham que suas vidas não são suficientes. Pessoas esquecem seus objetivos e param no meio da rua.

Pessoas têm dons e não descobrem. Pessoas passam a vida fazendo o que não querem. Pessoas se submetem e passam uma vida medíocre. Pessoas acham que têm menos do que merecem. Pessoas nunca estão satisfeitas. Eu não estou.

Um comentário

  1. De verdade, adorei seu blog!



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